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Câmara Municipal trabalha “com todo o rigor técnico” para preservar pelo registo vestígios do antigo Convento de São Bento
Por Administrador
Publicado em 06/05/2026 21:52
Viana do Castelo
Câmara Municipal de Viana do Castelo

Câmara Municipal trabalha “com todo o rigor técnico”
para preservar pelo registo vestígios do antigo Convento de São Bento

 

O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre,

acompanhou, esta quarta-feira, a comunicação social, numa visita técnica à

intervenção arqueológica prévia à construção do novo Mercado Municipal de Viana do

Castelo, e garantiu que a autarquia está a trabalhar “com todo o rigor técnico e as

melhores práticas” para preservar pelo registo os vestígios do antigo Convento de São

Bento.

No final do século XIX, por volta de 1891, após a extinção das ordens

religiosas, o Município deliberou demolir as estruturas não religiosas do convento para

aí construir o primeiro mercado municipal – Mercado das torres.

Por isso, o autarca explicou que, relativamente ao antigo Convento de São

Bento, a “grande decisão” foi tomada em 1891, “numa decisão responsável, tal como

está a ser agora, já que foram demolidas as partes menos representativas do

convento, mas a parte religiosa foi preservada”. “As funções mais nobres do antigo

convento - a igreja e os claustros -, estão preservadas e vamos trabalhar para as

colocar mais ao serviço dos vianenses”, afirmou.

“Estamos a trabalhar com todo o profissionalismo, rigor técnico e científico,

com o tempo e a tranquilidade necessárias para preservar o que encontramos através

do registo e iremos certamente compilar toda a informação numa publicação”, garantiu

Luís Nobre.

Agora, reforça, “queremos dar mais dignidade e visibilidade à Igreja de São

Bento e aos claustros ainda existentes, que integravam exatamente o antigo

convento”, apesar das “cicatrizes temporais” que o tempo deixou.

“Iremos tomar decisões dentro dos cânones existentes para intervenções desta

natureza, nomeadamente através da preservação pelo registo, que vai fazer um

levantamento e proteger definitivamente esta ocupação”, declarou, acrescentando que

vai procurar a classificação da Igreja de São Bento e dos claustros como Monumento

de Interesse Público.

Luís Nobre quer que este espaço “possa ser usufruído não só na sua

componente religiosa, mas também turística e cultural”, pelo que a Câmara Municipal

vai trabalhar com a Paróquia e a Diocese de Viana do Castelo para apoiar a reabilitação

deste património através do programa municipal Valorizar o Património.

Luís Nobre assegura que “a construção do novo Mercado não está em causa,

vai ser construído aqui, mas recorrendo a todas as técnicas de registo e preservação

do que foi este convento, a sua construção e desconstrução ao longo do tempo”.

O Chefe de Unidade Orgânica de Arqueologia da Câmara Municipal de Viana do

Castelo, Miguel Costa, referiu que, até ao momento, a intervenção arqueológica já

promoveu escavações numa área de 1.000 metros quadrados, que revelou estruturas

não religiosas do antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI, nas várias

fases de ocupação do espaço – dormitórios, enfermarias, áreas técnicas.

“As cidades são organismos vivos, com uma evolução natural, vão crescendo e

vão-se sobrepondo estruturas”, explicou o arqueólogo, reconhecendo que o edifício

original não tinha estrutura sólida o suficiente para ser reformulada. “Agora, estamos a

trabalhar para devolver o Mercado Municipal a este espaço”, afirmou, explicando que

estas escavações desvendaram “cinco séculos de história preservados debaixo das

terras”.

“O objetivo é a preservação e memória dos registos existentes. As escavações

vão continuar, com escavações em área, estendendo-se pelos arruamentos em torno,

nomeadamente no arruamento a norte e poente, numa área que será aumentada

ainda em mais 700 metros quadrados”, explicou, num trabalho articulado entre a

Câmara Municipal e as entidades que tutelam o património, garantindo o princípio da

conservação pelo registo.

O futuro Mercado Municipal de Viana do Castelo é um projeto considerado

estruturante para o desenvolvimento da cidade e para a dinamização do centro

 

histórico, e está dividido em duas grandes intervenções: o edifício propriamente dito,

cuja localização é sobre a implantação do desconstruído Edifício Jardim / Prédio

Coutinho; e a reabilitação do espaço envolvente exterior.

O Mercado Municipal conta com uma área de implantação de

4.971,11m2, área bruta de construção de 8.570,03m2, dividida entre piso -1,

piso 0 e piso 1. O projeto de execução de arquitetura indica que o futuro

espaço comercial contará com um total de 56 bancas, 28 espaços

comerciais/serviços e ainda com 91 lugares de estacionamento em cave.

Após concurso público internacional, a obra, de 13,376 milhões de euros, está a

cargo da Arlo S. A.. O edifício principal, de acordo com o projeto de execução de

arquitetura, possuirá dois pisos, funcionando o mercado no piso térreo.

“No coração do piso 0, que foi pensado como se tratasse de um grande átrio

central, serão localizados os operadores tradicionais, em espaço de banca, os quais

justificam cuidados acrescidos do ponto de vista higio-sanitário. Estes espaços foram

concebidos em forma de ilhas comerciais que garantem exposição em todas as frentes

em interação com a exposição nos espaços de loja, beneficiando a atratividade sobre

todos os produtos”, refere o projeto.

“Dentro da área do piso 0 foram integradas áreas técnicas de frio, para

conservação de pescado e fabrico de gelo, como forma de apoio direto aos operadores

de pescado. A área nascente do piso 0, de menor atratividade, e de certo modo

condicionada pelo acesso ao parque na cave, privilegia sobretudo os espaços técnicos

de apoio ao mercado que carecem de ligação direta ao exterior, assim como de

ventilação natural”, é ainda referido.

“O piso superior, ao funcionar como se de um mezanino se tratasse, partilha o

espaço central com a área de mercado, permitindo estabelecer sinergias do ponto de

vista da dinâmica dos usos, sendo destinado preferencialmente a atividades ligadas a

serviços e espaços culturais, embora se admitam condições para que em função da

evolução da procura possam também servir como áreas comerciais complementares

 

das previstas no piso térreo”, indica-se ainda.

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