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Iniciativa do PS que recomenda aumento dos apoios às raças autóctones aprovada no Parlamento
Por Administrador
Publicado em 08/05/2026 16:46
Política
PS Parlamento

 Iniciativa do PS que recomenda aumento dos apoios às raças autóctones aprovada no Parlamento

Projeto de Resolução n.o /XVII

Recomenda ao Governo que aumente os apoios às fileiras das raças autóctones


Exposição de motivos

As raças autóctones portuguesas constituem um dos pilares mais valiosos do nosso

património rural. Muito para além da sua dimensão produtiva, representam um

legado genético, cultural e ambiental único, moldado por séculos de adaptação às

especificidades do território nacional. São, portanto, muito mais do que recursos

zootécnicos: são expressão viva da identidade portuguesa e da relação harmoniosa

entre o ser humano e o seu meio.

Estas raças, desenvolvidas em contextos geográficos e climáticos exigentes, como

o interior montanhoso ou as áreas de baixa produtividade agrícola, demonstram

uma resiliência e uma adaptabilidade notáveis. Tal capacidade permite-lhes

sustentar modelos de produção sustentáveis, baseados em sistemas extensivos e

práticas agroecológicas, que valorizam os recursos locais e preservam os

ecossistemas. Em tempos de alterações climáticas e crescente pressão sobre os

recursos naturais, esta é uma vantagem estratégica que Portugal não pode

negligenciar.

Além disso, as raças autóctones contribuem de forma decisiva para a fixação das

populações em territórios vulneráveis ao despovoamento, funcionando como

motores de desenvolvimento económico e social. A produção associada a estas

raças – nomeadamente carnes, queijos, enchidos e outros produtos tradicionais – é

amplamente reconhecida pela sua qualidade superior, muitas vezes protegida por

selos como a Denominação de Origem Protegida (DOP) ou a Indicação Geográfica

Protegida (IGP). Esta valorização promove circuitos curtos de comercialização,

aumenta o rendimento dos produtores e reforça a economia local e circular.

No entanto, este valioso património está longe de estar garantido. A sua preservação

depende diretamente de políticas públicas firmes, de um envolvimento ativo da

sociedade civil e de apoios concretos aos criadores que, com esforço e dedicação,

mantêm vivas estas raças. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) tem

desempenhado um papel relevante nesta área, com iniciativas que vão desde a

conservação genética à sensibilização pública. Mas os desafios atuais – desde a

perda de biodiversidade até à desertificação rural – exigem um reforço claro deste

compromisso institucional.

Defender as raças autóctones é investir num futuro sustentável, equilibrado e

identitário para o nosso país. É assegurar que as próximas gerações terão acesso a

um património vivo, rico em diversidade, saber e sabor. É preservar a memória do

passado, enquanto se constrói uma ruralidade inovadora, resiliente e capaz de

enfrentar os desafios do presente e do futuro.

É necessário garantir apoios financeiros estáveis e adequados, incentivos à

comercialização dos produtos derivados, programas de formação técnica para os

criadores, bem como campanhas de educação e valorização junto dos

consumidores. Esta é uma responsabilidade coletiva, que deve envolver todos os

setores da sociedade, desde as escolas até à restauração, desde os municípios até

aos centros de investigação.

 

Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais aplicáveis, as

Deputadas e os Deputados abaixo-assinados do Grupo Parlamentar do Partido

 

Socialista apresentam o seguinte projeto de resolução:

A Assembleia da República resolve, nos termos do disposto do n.o 5 do artigo 166.o

da Constituição da República Portuguesa, recomendar ao Governo que:

 

1. Reforce os apoios financeiros aos criadores de raças autóctones;

2. Crie condições para o aumento da certificação com Denominação de Origem

Protegida (DOP) ou a Indicação Geográfica Protegida (IGP) de produtos de

raças autóctones nacionais;

3. Apoie ações de promoção, certificação e comercialização com

Denominação de Origem Protegida (DOP) ou a Indicação Geográfica

Protegida (IGP) de produtos de raças autóctones nacionais;

4. Implemente o consumo dos produtos das raças autóctones nas cantinas do

setor público, incluindo as escolas.

5. Invista em programas de conservação genética e de investigação científica,

em articulação com universidades, centros de investigação e associações de

criadores.

 

Palácio de S. Bento, 30 de setembro de 2025

As Deputadas e os Deputados

Eurico Brilhante Dias

Armando Mourisco

Pedro Carmo

Júlia Rodrigues

 

Luís Graça

Sofia Canha

Irene Costa

Jorge Botelho

Rui Santos

Luís Dias

Elza Pais

Hugo Costa

Marina Gonçalves

Luís Moreira Testa

Eduardo Pinheiro

Pedro Sousa

Eurídice Pereira

Aida Carvalho

Susana Correia

 

Nuno Fazenda

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