Dezanove carros alegóricos das seis Escolas Superiores do Politécnico de Viana do Castelo deram “a volta ao mundo” pelas ruas da cidade
“A Escola acabou por se tornar casa” | Centenas de estudantes celebraram o cortejo académico do Politécnico de Viana do Castelo
Do Oriente das gueixas ao México, dos ritmos quentes da América Latina às tradições portuguesas, o cortejo académico do Politécnico de Viana do Castelo voltou esta quarta-feira a transformar as ruas da cidade numa verdadeira viagem pelo mundo. Mas, por detrás dos 19 carros alegóricos, da música, das coreografias e dos aplausos, desfilaram sobretudo histórias de superação, crescimento e conquista pessoal de centenas de estudantes que encontraram nas diferentes Escolas do IPVC muito mais do que um curso: uma segunda casa.
O cortejo académico, um dos momentos mais marcantes da Semana Académica, ligou a Escola Superior de Tecnologia e Gestão à Escola Superior de Educação, reunindo centenas de estudantes das seis Escolas Superiores do Politécnico de Viana do Castelo.
Uns chegavam ao fim do percurso académico já com saudade antecipada. Outros ainda tentavam perceber como passaram tão depressa os anos que começaram com receios, malas feitas e cidades desconhecidas. Entre batuques, abraços, lágrimas e sorrisos, repetia-se a mesma ideia: o Politécnico de Viana do Castelo acabou por transformar vidas.

“Hoje sinto-me completamente diferente da pessoa que chegou aqui”
À chegada ao cortejo académico, Iara Oliveira, de 22 anos, natural de Braga e finalista do curso de licenciatura em Enfermagem, na Escola Superior de Saúde, tentava conter a emoção. “A realidade é mesmo esta. Custa acreditar que estamos a terminar esta viagem”, dizia enquanto se aproximava da tribuna. Sair de Braga para estudar em Viana do Castelo foi, admite, o maior desafio. “Estar longe de casa custou muito no início, mas as pessoas com quem me fui cruzando fizeram toda a diferença. Hoje sinto-me completamente diferente da pessoa que chegou aqui.”
Ainda sem terminar oficialmente a licenciatura, já pensa no futuro: entrar no mercado de trabalho e, daqui a dois anos, especializar-se. Mas sair da Escola Superior de Saúde não será fácil. “Valeu muito a pena todo o esforço. A ESS-IPVC acaba por se tornar casa.”
Também para André Silva, de 22 anos, natural de Chaves, o percurso académico foi uma verdadeira aventura. Finalista do curso de mestrado em Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico e de Matemática e Ciências Naturais no 2.º Ciclo do Ensino Básico, da Escola Superior de Educação, assume que chega a este segundo cortejo académico como finalista com emoções diferentes das vividas na licenciatura em Educação Básica. “Já não é a mesma surpresa de há dois anos, mas continua a ser uma grande conquista”, dizia o estudante, que é também presidente da Associação de Estudantes da ESE-IPVC.
Foi a análise cuidada do plano de estudos que o levou a trocar Chaves por Viana do Castelo e a escolher o curso e a Escola Superior de Educação. Hoje, olha para o percurso que fez com orgulho. “Cheguei aqui muito mais tímido. Cresci muito nestes anos. Hoje sei claramente que é a via ensino que quero seguir.”
O orgulho é ainda maior por ser o primeiro da família a concluir um curso superior. “É impossível não sentir isto de forma especial.”

“Hoje percebo que o destino sabia mais do que eu”
Na Escola Superior Agrária, Ricardo Gil Duarte, de 21 anos, natural de Barcelos e finalista da licenciatura em Enfermagem Veterinária, admite que o percurso começou com alguma desilusão. “Na altura, fiquei triste por não entrar em Medicina Veterinária”, recorda. Mas o tempo trouxe-lhe outra perspetiva. “Hoje percebo que o destino sabia mais do que eu. A experiência na Agrária foi incrível. É mesmo uma Escola única.” Mudou-se para Refoios do Lima e garante que leva da ESA-IPVC apenas boas memórias. “Foi um caminho muito bonito. Sinto muito orgulho em chegar aqui e os meus pais também.”
Na Escola Superior de Ciências Empresariais, em Valença, Inês Santos, de 20 anos, finalista de Gestão da Distribuição e Logística, também olha para o percurso com satisfação. “É muito bom chegar ao fim desta etapa e conseguir fazê-lo em três anos.” Natural de Viana do Castelo, mudou-se para Valença no início do curso e hoje brinca com a experiência: “Valença estranha-se, depois entranha-se.” O slogan já vai sendo conhecido entre a comunidade académica e não parece demorar muito a se tornar uma realidade.
O próximo passo será continuar ligada à ESCE-IPVC, ao ingressar no mestrado em Logística, enquanto tenta conciliar estudos e trabalho. “O IPVC foi a minha primeira opção e continua a ser. Voltaria a escolher exatamente o mesmo caminho.”

“A mudança não foi fácil, mas a ESDL tornou-se casa”
Entre os estudantes que mais destacavam o impacto da mudança estava Mafalda Casimiro, de 20 anos, natural de Braga e finalista da licenciatura em Desporto e Lazer, da Escola Superior de Desporto e Lazer, em Melgaço. Trocar “uma cidade jovem e movimentada” pela tranquilidade de Melgaço foi um choque inicial. Mas rapidamente a experiência ganhou outro significado. “O início foi desafiante, mas depois a ESDL-IPVC tornou-se casa”, contava.
O que a levou até Melgaço foi a especificidade do curso. “O plano de estudos era muito rico e permitiu-nos experimentar modalidades e atividades ao ar livre que dificilmente encontraria noutra escola do país. A ESDL é muito especial. É única na sua oferta formativa.”
A proximidade entre estudantes, docentes e não docentes acabou por marcar o percurso. “Conhecemo-nos todos e isso transforma-nos numa família.” Apesar de querer seguir a vertente de ensino, e por isso procurar um mestrado noutra instituição, não hesita: “Se tivesse de voltar atrás, escolheria novamente a ESDL.”
“Chegámos ao fim juntas”
Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Sofia Martins, de Guimarães, e Beatriz Botelho, do Porto, chegavam ao cortejo lado a lado. Entre lágrimas, gargalhadas e fotografias, celebravam muito mais do que a conclusão da licenciatura em Engenharia da Computação Gráfica e Multimédia.
“Não nos conhecíamos antes do curso”, explicava Beatriz. “Foram anos muito difíceis, com muito trabalho e muitos momentos menos bons, mas tudo ficou mais fácil por causa das amizades que criámos.”
Ambas reconhecem as exigências do percurso numa área ainda maioritariamente masculina, mas consideram que valeu muito a pena. “Nunca pensei que chegasse aqui. “Mas hoje sinto muito orgulho por termos conseguido”, admitia Beatriz Botelho.
Uma academia em festa, mas também mais sustentável
Ao longo do percurso, multiplicavam-se as coreografias, os cânticos e os aplausos de familiares e amigos que iam pintando as ruas para assistir ao desfile. Mas, mais do que carros alegóricos ou fantasias inspiradas em diferentes países, o cortejo voltou a mostrar aquilo que verdadeiramente une a academia do Politécnico de Viana do Castelo: estudantes que chegaram de diferentes pontos do país, enfrentaram o desafio de sair de casa, cresceram entre aulas, amizades, dificuldades e conquistas, e que agora levam consigo memórias que prometem durar muito para além da última música do desfile.
A Semana Académica deste ano ficou também marcada pela aposta em medidas associadas à sustentabilidade. Segundo o presidente da Federação Académica do IPVC, Tiago Melão, será plantada uma árvore por cada mil copos reutilizáveis vendidos durante os eventos da semana académica. As árvores serão posteriormente plantadas numa iniciativa conjunta entre o Politécnico de Viana do Castelo e a Câmara Municipal de Viana do Castelo.
