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Solstício de Verão
Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado, Paredes de Coura, volta a celebrar o Solstício de Verão esta sexta-feira e sábado 19 e 20 de junho
Por Administrador
Publicado em 18/06/2026 19:17
Paredes de Coura
Município de Paredes de Coura

Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado celebra


Solstício de Verão

sex_sáb | 19_20 junho | Paredes de Coura

 

O Povoado Fortificado da Cividade em Cossourado, Paredes de Coura, volta a celebrar o Solstício de Verão esta sexta-feira e sábado, 19 e 20 de junho, com centenas de pessoas que juntas voltam a exaltar a entrada num novo verão, assinalando o dia mais longo do ano.

A música medieval pelos Sacarrabos, que juntamente com o grupo de danças Sellium, ambos de Tomar, nos trazem as sonoridades únicas da gaita de foles, tarota, bouzouki, flauta, bateria e bombo, mas também os galegos Xógara, que regressam com um repertório de duas décadas de música tradicional de gaita. Ou a música condimentada com fogo e marionetas gigantes pelos Saltarellus e A Rua'Da, ou até o Ouriço Gateiro e os Gaiteiros de Bravães, de Ponte da Barca, que prometem a Foliada Gaiteira, aberta a quem queira dançar ou juntar a sua gaita ao convívio, são alguns dos muitos motivos que ilustram o Solstício de Verão na Cividade de Cossourado.

Ainda antes da música, o arqueólogo Diogo Amaro conduz uma visita guiada ao Povoado Fortificado da Cividade, num percurso por entre estruturas com mais de dois mil anos, onde a história da cultura castreja do Alto Minho ganha voz e presença, mas também há oficinas como a Sidra Faca nos Dentes, numa conversa com Pedro Paiva sobre esta sidra artesanal de baixa intervenção — fermentada espontaneamente, sem açúcar nem leveduras industriais, que reflete diretamente a fruta, o território e o carácter vivo da paisagem minhota.

 

Zuca Truca, Arte do Barro, Mão Fiadeira e a gaita de fole minhota

Já Zuca Truca, por Rafael Freitas e Mariana Campos, promove uma oficina de construção de flautas, apitos, ocarinas e chamariz a partir de canas, bugalhos, bolotas, loureiro e outros materiais naturais. A artista plástica Margareth orienta uma oficina de olaria manual, a Arte do Barro, numa oportunidade para os participantes descobrirem e experimentarem algumas das técnicas utilizadas pelos nossos antepassados para criar os seus próprios recipientes e utensílios do quotidiano.

A lã volta a ter voz pela Mão Fiadeira, uma encenação de Isabel Seda e Diogo Quaresma, que evoca a arte ancestral de transformar a lã num novelo fiado à mão, enquanto Rafael Freitas e Mariana Campos convidam a descobrir a gaita de fole minhota, instrumento que durante séculos animou as festas do Alto Minho e que esteve perto de desaparecer.

Às 21h11, do dia 20 de junho, o sol chega ao seu ponto mais alto do ano e despedimo-nos dele com gratidão. A Cerimónia do Pôr do Sol reúne todos no castro num momento de pausa, presença e celebração coletiva dos ciclos da terra. Com o avançar da noite, o fogo dá lugar ao Pro Amoris, uma performance imersiva que alia música, fogo e marionetas gigantes para narrar a lenda de uma ilha ancestral protegida por gigantes.

O castro transforma-se em pista de dança, com a Foliada Gaiteira a trazer uma seleção de danças tradicionais portuguesas, ao som dos Gaiteiros de Bravães, até que à meia-noite do dia 20 de junho, o castro despede-se do velho com fogo, numa Cerimónia Esconjuro & Queimada que encerra o Solstício de Verão como manda a tradição: uma chama que purifica, liberta e abre caminho ao que está para vir. O velho parte. O novo desperta.

 

Povoado Fortificado é Monumento Nacional

Recorde-se que há cinco anos o Povoado Fortificado de Cossourado ou Forte da Cidade foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 15/2021, de 7 de junho, dado o interesse dos bens enquanto “testemunho notável de vivências ou factos históricos”, como consta do decreto governamental.

Promovido pela Associação A Cividade, em colaboração com o Município de Paredes de Coura, esta celebração do Solstício de Verão tem acontecido quase todos os anos na data mais próxima do dia do solstício, no Povoado Fortificado de Cossourado, respeitando a natureza do local, demonstrando que a classificação é coadunável com o espírito desta celebração do Solstício que visa, precisamente, a valorização pela comunidade do achado arqueológico e a sua promoção junto dos potenciais visitantes.

 

 

Cividade de Cossourado

Implantada numa área extremamente rica em monumentos arqueológicos, e que ocupa um total de 10 hectares, a Cividade de Cossourado é, pela sua antiguidade, imponência topográfica de importante relevo no contexto da cultura castreja da região do Alto Minho. Nas escavações desenvolvidas encontraram espólio de diferentes tipologias, testemunho de uma considerável e necessária organização socioeconómica. Recentemente, para além do restauro das estruturas habitacionais, procedeu-se à reconstituição de um núcleo formado por duas cabanas que recriam as habitações do povoado.

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