Escavações no local do novo Mercado Municipal de Viana do Castelo terminam no final do mês
Termina, no final do mês de agosto, a intervenção arqueológica que promoveu,
nos últimos meses, escavações no local que vai acolher o futuro Mercado Municipal de
Viana do Castelo e área envolvente. Por isso, a partir de terça-feira, dia 1 de setembro,
já será possível avançar com trabalhos de maior envergadura no âmbito da empreitada
de construção do novo mercado.
A intervenção arqueológica promoveu escavações, que revelou estruturas não
religiosas do antigo Convento de São Bento, fundado no século XVI, nas várias fases
de ocupação do espaço – dormitórios, enfermarias, áreas técnicas.
A Câmara Municipal de Viana do Castelo está, nesta fase, a fechar o projeto de
valorização dos achados arqueológicos junto das entidades competentes. A proposta
da autarquia, que terá agora de ser aprovada, passa por integrar os achados do futuro
Polo de Arqueologia de Viana do Castelo, a ser implementado na Zona Empresarial da
Praia Norte e outros espaços na cidade. A autarquia trabalhou, assim, pelo registo,
para preservar pelo registo os vestígios do antigo Convento de São Bento, no local
onde vai surgir o mercado municipal.

Recorde-se que, no final do século XIX, por volta de 1891, após a extinção das
ordens religiosas, o Município deliberou demolir as estruturas não religiosas do
convento para aí construir o primeiro mercado municipal – Mercado das torres. As
funções mais nobres do antigo convento - a igreja e os claustros -, estão preservadas e
o Presidente da Câmara, Luís Nobre, já referira, em abril, trabalhar para as colocar
mais ao serviço dos vianenses. Na altura, disse que ia procurar a classificação da
Igreja de São Bento e dos claustros como Monumento de Interesse Público.
Luís Nobre quer que este espaço “possa ser usufruído não só na sua
componente religiosa, mas também turística e cultural”, pelo que a Câmara Municipal
vai trabalhar com a Paróquia e a Diocese de Viana do Castelo para apoiar a reabilitação
deste património através do programa municipal Valorizar o Património.
O futuro Mercado Municipal de Viana do Castelo é um projeto considerado
estruturante para o desenvolvimento da cidade e para a dinamização do centro
histórico, e está dividido em duas grandes intervenções: o edifício propriamente dito,
cuja localização é sobre a implantação do desconstruído Edifício Jardim / Prédio
Coutinho; e a reabilitação do espaço envolvente exterior.
O Mercado Municipal conta com uma área de implantação de
4.971,11m2, área bruta de construção de 8.570,03m2, dividida entre piso -1,
piso 0 e piso 1. O projeto de execução de arquitetura indica que o futuro
espaço comercial contará com um total de 56 bancas, 28 espaços
comerciais/serviços e ainda com 91 lugares de estacionamento em cave.
Após concurso público internacional, a obra, de 13,376 milhões de euros, está a
cargo da Arlo S. A.. O edifício principal, de acordo com o projeto de execução de
arquitetura, possuirá dois pisos, funcionando o mercado no piso térreo.
“No coração do piso 0, que foi pensado como se tratasse de um grande átrio
central, serão localizados os operadores tradicionais, em espaço de banca, os quais
justificam cuidados acrescidos do ponto de vista higio-sanitário. Estes espaços foram
concebidos em forma de ilhas comerciais que garantem exposição em todas as frentes
em interação com a exposição nos espaços de loja, beneficiando a atratividade sobre
todos os produtos”, refere o projeto.

“Dentro da área do piso 0 foram integradas áreas técnicas de frio, para
conservação de pescado e fabrico de gelo, como forma de apoio direto aos operadores
de pescado. A área nascente do piso 0, de menor atratividade, e de certo modo
condicionada pelo acesso ao parque na cave, privilegia sobretudo os espaços técnicos
de apoio ao mercado que carecem de ligação direta ao exterior, assim como de
ventilação natural”, é ainda referido.
“O piso superior, ao funcionar como se de um mezanino se tratasse, partilha o
espaço central com a área de mercado, permitindo estabelecer sinergias do ponto de
vista da dinâmica dos usos, sendo destinado preferencialmente a atividades ligadas a
serviços e espaços culturais, embora se admitam condições para que em função da
evolução da procura possam também servir como áreas comerciais complementares
das previstas no piso térreo”, indica-se ainda.