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«Praticar a Democracia»: jovens reúnem-se para pensar o presente e o futuro da democracia
Por Administrador
Publicado em 02/10/2026 14:34
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50anos25abril.pt

«Praticar a Democracia»: jovens reúnem-se para pensar o presente e o futuro da democracia

Depois de três anos a identificar problemas, construir propostas e debatê-las diretamente com representantes políticos, cerca de 150 jovens, entre os 7 e os 20 anos, de várias regiões do país, reúnem-se no dia 6 de outubro, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, para fazer o balanço da experiência e pensar o futuro da participação jovem na democracia.

O encontro nacional «Praticar a Democracia» assinala o encerramento do projeto «25 de Abril, 25 Assembleias Participativas Jovens», promovido pela Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril em parceria com a MyPolis. Ao longo de três anos letivos, cerca de 9.800 alunos participaram em 164 Assembleias Participativas Jovens e apresentaram mais de 670 propostas para as suas escolas e comunidades.

Na sessão de 6 de outubro, jovens, professores, autarcas e outros convidados institucionais irão revisitar esse percurso, conhecer os resultados do projeto e refletir sobre uma questão que atravessa toda a iniciativa: como se aprende e pratica a democracia? Participam jovens de escolas e comunidades de Lisboa, Sintra, Torres Vedras, Loulé, Lagos, Braga, Vila Verde, Sardoal e Montemor-o-Novo, além de jovens embaixadores de outras comunidades MyPolis.

Consulte o programa completo aqui.

Desenvolvido no âmbito das Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, o projeto recorre a jogos e metodologias participativas criados pela MyPolis para desafiar crianças e jovens a identificar problemas nas suas escolas e comunidades, construir propostas e apresentá-las aos responsáveis políticos locais. Nas Assembleias Participativas Jovens, alunos e representantes eleitos discutem diretamente essas propostas e as possibilidades da sua concretização. Deste processo nasceram iniciativas como paragens de autocarro alimentadas por energia solar, ações de plantação de árvores, campanhas de defesa dos Direitos Humanos ou uma feira comunitária que angariou mais de uma tonelada de alimentos e bens essenciais para famílias em situação de vulnerabilidade. Só no ano letivo de 2025/2026, a iniciativa envolveu cerca de 2.800 alunos de 39 escolas, em 21 localidades, com a realização de 41 Assembleias e a apresentação de 178 propostas aos respetivos municípios.

«Ao longo destes três anos, milhares de jovens tiveram a oportunidade de experimentar a democracia de forma concreta: identificaram problemas, construíram propostas, defenderam ideias e dialogaram diretamente com os responsáveis pelas suas comunidades. É também assim que se aprende a democracia — participando, escutando, debatendo e assumindo responsabilidade. Cinquenta anos depois do 25 de Abril, este projeto mostra que os valores de Abril continuam vivos quando damos às novas gerações espaço e instrumentos para participarem na construção do presente e do futuro», afirma Maria Inácia Rezola, comissária executiva da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril.

O encontro de 6 de outubro será também uma oportunidade para ouvir diretamente alguns dos seus protagonistas. Jovens e autarcas vão retomar propostas apresentadas nas Assembleias Participativas, explicando o percurso entre a identificação de um problema, a construção de uma solução, a sua apresentação aos decisores e a resposta obtida. Serão ainda apresentados os principais resultados dos três anos de projeto e da avaliação de impacto desenvolvida em parceria com o Iscte, permitindo fazer um balanço da experiência e do seu contributo para a participação cívica dos jovens.

Para o fundador e diretor da MyPolis, Bernardo Branco Gonçalves, as Assembleias são momentos importantes para acompanhar o protagonismo dos estudantes ao longo do projeto. “Através dos jogos, os alunos observam, identificam problemas e propõem soluções. Nas Assembleias, ganham espaço para apresentar as suas ideias e, na maioria dos casos, chegam já com propostas concretas para os desafios que identificaram. Mais de 300 destas propostas já foram implementadas na prática. É um processo que os empodera e lhes permite perceber o valor da participação”, afirma.

O programa começa antes da sessão em auditório. À chegada, os participantes são convidados a percorrer um espaço dedicado à memória da democracia e ao trabalho realizado ao longo do projeto, conhecer histórias e propostas desenvolvidas por jovens e participar em diferentes jogos e atividades. O percurso parte da diferença entre viver em ditadura e viver em democracia para chegar ao exercício da participação no presente: aquilo que durante a ditadura não era possível dizer, escolher, organizar ou contestar e as possibilidades de participação conquistadas com o 25 de Abril.

No final, o olhar dirige-se ao futuro: quando o 25 de Abril celebrar 100 anos, em 2074, que democracia queremos encontrar? A partir desta pergunta, os jovens presentes serão desafiados a pensar não apenas a democracia que gostariam de encontrar no futuro, mas também aquilo que podem fazer no presente para a construir. As respostas recolhidas ao longo do dia servirão de ponto de partida para uma conversa entre jovens participantes, no programa da tarde: um momento de diálogo sobre a democracia que queremos construir e sobre o papel que os jovens podem assumir, desde já, nesse caminho.

Mais do que assinalar o fim de um projeto, «Praticar a Democracia» pretende fazer o balanço de uma experiência construída ao longo de três anos e devolver a palavra aos jovens que nela participaram. Pretende também lançar o mote para o futuro: passar o testemunho aos jovens, autarcas e restantes participantes, para que continuem a criar, nas suas comunidades, espaços de participação e diálogo democrático.

Ao aproximar escolas, jovens e representantes eleitos, o projeto «25 de Abril, 25 Assembleias Participativas Jovens» procurou concretizar uma ideia central das Comemorações: a democracia não é apenas uma conquista de Abril ou uma memória a preservar. É uma prática que exige participação, diálogo e responsabilidade e que cada geração é chamada a continuar.

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