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Dia da Música Popular Brasileira enche o Instituto Pernambuco-Porto e aproxima culturas dos dois lados do Atlântico
Por Administrador
Publicado em 21/10/2026 19:46
Música

Dia da Música Popular Brasileira enche o Instituto Pernambuco-Porto e aproxima culturas dos dois lados do Atlântico 

  • Primeira edição em Portugal aconteceu no fim de semana de 17 e 18

  • Duas mil e quinhentas pessoas nos dois dias do evento

  • Concertos, cinema, oficinas, exposições e conversas com artistas do Brasil, de Portugal e de Cabo Verde

 

Nos dias 17 e 18 de outubro, o Instituto Pernambuco Porto acolheu a primeira edição em Portugal do Dia da MPB (Música Popular Brasileira). Foram dois dias dedicados à diversidade da música brasileira e às relações culturais entre o Brasil e Portugal. Num fim de semana de casa cheia, passaram pelo espaço cerca de mil pessoas, no sábado, e mil e quinhentas,  no domingo.

A sessão de abertura contou com a presença dos anfitriões: Ivan Lima, fundador  e curador do evento e Aurélio Tavares, vice-presidente do Instituto Pernambuco Porto-Brasil. Estiveram presentes também Juliano Feres, embaixador permanente do Brasil junto da CPLP; Dilne Mesquita, secretária-geral do Fórum de Integração Brasil-Europa e Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto.


Ivan Lima, fundador e curador da celebração deste dia em Portugal resume bem o balanço que faz: “Estou muito contente com esta realização. A língua acaba por nos aproximar, por nos unir. E sabemos que a música brasileira sempre ultrapassou fronteiras, é um dos maiores soft powers do Brasil no mundo”.

No sábado, a programação incluiu uma visita guiada à exposição “Brasil Moderno”, além da roda de conversa “Do Modernismo à Canção: o Brasil que se inventa”, com Fernanda Pessoa, a escritora Mariana Salomão Carrara e o pesquisador Rodrigo Alzuguir. Também foi exibido o documentário “Fernanda Abreu: Da Lata 30 anos”, de Paulo Severo. A programação do dia encerrou com o pocket show de Almério, lotando o auditório. 


No domingo, além do concerto do grupo Batucada Radical, o Instituto recebeu atividades ao longo de todo o dia, com cinema, oficinas musicais e duas mesas de conversa. “Afinal, o que é a MPB?” discutiu a construção do conceito de Música Popular Brasileira, com mediação de Fernando Sousa (Casa da Música) e participação de Zé Renato (Boca Livre), Gilmar Bolla8 (Nação Zumbi) e Tiago Nacarato. “O Brasil que ouvimos: Memórias Portuguesas da MPB” juntou Mayra Andrade, Sérgio Godinho e Samuel Úria, com moderação de Ivan Lima, para falar da influência da música brasileira em diferentes gerações em Portugal. “Eu sinto que o Brasil esteve sempre à minha espera. É como voltar à casa”, disse Mayra Andrade. Para encerrar o evento, uma conversa musicada com o cantor e compositor Zé Renato, que trouxe clássicos da MPB, como “Quem tem a viola”, “Diz que fui por aí” e “Toada”. 


A celebração contou com duas oficinas, uma conversa musicada, uma visita guiada, cinco filmes, dois concertos de bolso e três mesas redondas, além de um mercadinho com gastronomia, discos e livros. A Fonoteca Municipal do Porto associou-se com uma exposição de capas de discos que ajudaram a contar a história da música do Brasil. 

Com uma programação diversa e contagiante, o Dia da MPB afirmou-se como um espaço de pensamento, em que música, literatura, cinema e artes plásticas se cruzaram numa troca de referências entre convidados e atividades. 

O dia da MPB no Porto contou com o apoio institucional da Câmara Municipal do Porto, pelo que esta estreia abre caminho a novas edições. 

SOBRE O EVENTO - CITAÇÕES

● Sérgio Godinho, cantor e compositor 

“A bossa nova virou-me a cabeça em termos musicais.” 

“Diferentemente da música portuguesa, a música brasileira tem uma linearidade.” 

● Samuel Úria, cantor e compositor 

“É legítima a bajulação do português à cultura brasileira, sobretudo nesta altura em que há tantos portugueses desconfiados daquilo que vem de fora.” 

● Jorge Sobrado, vereador de Cultura da Câmara do Porto 

“A música brasileira é um grande exemplo de uma ponte entre aquilo a

que chamamos herança cultural popular, o que podemos chamar de folclore, e a música de criação de autor.” 

Sobre o projeto e a equipa

Dia da MPB. Iniciativa cultural nascida no Porto, dedicada à celebração, difusão e reflexão sobre a música brasileira e as suas relações com Portugal, reunindo música, artes visuais, cinema, educação, memória e pensamento.

 O Dia da MBP (Dia Nacional da Música Popular Brasileira) celebra a história, os artistas e a influência cultural de um dos géneros mais importantes do país. A data foi instituída em 2012, pela então presidente Dilma Rousseff, e a data - 17 de outubro - foi escolhida em homenagem ao nascimento de Chiquinha Gonzaga - compositora, pianista e maestrina pioneira da música popular brasileira - cujo aniversário se celebra neste dia.

 

E porque neste contexto luso-brasileiro faz todo o sentido, recorde-se que a própria história de Chiquinha Gonzaga contém uma pequena ponte entre os dois países, uma vez que a capa da partitura da polca Atraente, de 1877, foi desenhada pelo artista português Rafael Bordalo Pinheiro.

 

Ivan Lima (idealização e curadoria). Historiador, musicólogo, produtor cultural e docente, é doutorando em História Contemporânea na Universidade do Porto e investigador do CITCEM. Fundador do projeto “O Que Cresci Ouvindo” e do podcast Rádio OQCO (Prémio Profissionais da Música 2022), colabora com a Casa da Música.

 

Parceiros institucionais.
Instituto Pernambuco-Porto Brasil(@institutopernambucoporto), associação privada sem fins lucrativos, criada em 1996, que promove a integração sociocultural e a cooperação com a comunidade brasileira e os países da CPLP; Fórum de Integração Brasil-Europa; e Câmara Municipal do Porto (@cmporto).




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