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“Contentamento Descontente”
Grupo de Teatro da Liga dos Amigos do Hospital
Por Administrador
Publicado em 02/11/2026 19:22
Cultura
Liga dos Amigos do Hospital de Viana

“Contentamento Descontente”

A obra teatral e o espectáculo

Tendo ficado deveras satisfeito com as duas casas cheias da antestreia e da estreia da peça “Contentamento Descontente” no Teatro Sá de Miranda e, principalmente, com os ecos que me chegaram das reacções do público vianense, sinto-me obrigado a fazer o que, certamente, deveria ter escrito antes – o objectivo primeiro do evento, a obra teatral propriamente dita e a construção do espectáculo com o Grupo de Teatro da Liga dos Amigos do Hospital.

Objectivo

O primum movens foi a angariação de fundos, para oferecermos materiais e equipamentos aos serviços hospitalares, mas foi, também, dar satisfação aos repetidos incitamentos das Voluntárias e Voluntários, que tinham gostado de participar nas duas peças levadas à cena pela Liga dos Amigos do Hospital “Amor ainda Maior” e “A Mudança”, e desejavam repetir a experiência.

O primeiro objectivo foi atingido e duplicado, uma vez que, quando esgotaram os convites para a estreia da peça, decidimos fazer outro espectáculo (a antestreia), fazendo crescer quase até ao dobro os donativos dos espectadores, tendo a receita sido ainda acrescentada com o sorteio de um quadro a óleo oferecido pela Voluntária Elisete Afonso. 

Embora constituam apenas dez por cento do custo dos materiais e equipamentos que a Liga vai oferecer aos serviços hospitalares no final de Novembro, os cerca de seis mil euros de donativos dos espectadores foram mais um bom contributo da comunidade vianense para a humanização do Hospital.

Quanto ao interessante envolvimento das Voluntárias e Voluntários, também isso foi aumentado com a inclusão de quatro novos actores, que nunca tinham pisado um palco.

A obra teatral

Como não podia deixar de ser, por mim próprio e pelo meio em que me integro há muitos anos, a obra é profundamente humanista e com notório pendor cívico, além de ser intergeracional e sublinhar os principais eixos de intervenção da Liga dos Amigos do Hospital – o Voluntariado e a Dádiva Benévola de Sangue.

O enredo da peça tem como principais protagonistas um casal de idosos que, por causa de um inesperado acidente doméstico, se defronta com vulnerabilidades que consegue ultrapassar com amor e espírito de entreajuda, e com o apoio da rede de solidariedade de vizinhos e amigos, velhos e jovens, da comunidade em que estão inseridos.

Sem lamechice e sem ser explicitamente pedagógica ou moralista, a peça introduz na narrativa valores sociais e comportamentos, como o respeito pelos mais idosos, o altruísmo e a corresponsabilidade cívica pelo bem-estar do outro, de que o voluntariado e a dádiva de sangue são exemplos maiores.

Considerei também oportuno incluir, a propósito no desenvolvimento da narrativa, citações e poemas de Luís de Camões, assinalando os 500 anos do seu nascimento, dois deles ouvidos na voz de Amália Rodrigues, trazendo à memória dos espectadores dois dos maiores vultos da cultura portuguesa, não como pano de fundo musical do enredo, mas ecoando sentimentos das personagens. 

Mas, apesar de abordar problemas sérios e actuais da comunidade, a peça teatral proporciona um excelente espectáculo de entretenimento cultural que incluiu igualmente diversas pinceladas de crítica e de humor, que arrancaram repetidas explosões de gargalhadas e de aplausos do público.

O surpreendente final é uma celebração do amor, da solidariedade e da esperança, que não deixa de ser um pontapé na desesperança e no pessimismo reinantes nos dias de hoje.

Construção do espectáculo

Para a selecção dos actores tive em consideração as personagens, mas, tenho de confessar, o meu conhecimento das voluntárias e voluntários seleccionados também influenciaram o desenho do perfil das personagens que vieram a interpretar.

Andreia Lino, Branca Carvalho, Bruna Torre, Defensor Moura, Inês Rego, João Leite, José Fernandes, Lina Meireles, Margarida Torres, Mariana Felgueiras, Natália Lourenço, Olívia Moreira, Primavera Alves, Raquel Amorim e Regina Páscoa, constituíram o grupo de 15 artistas (12 Voluntárias e 3 Voluntários), de idade entre os 19 e os 81 anos e com muito diferentes disponibilidades para ensaiar, porque mantiveram o trabalho de voluntariado junto dos doentes e as suas múltiplas ocupações pessoais (5 profissionais activas e 10 aposentados com diversas responsabilidades familiares e outras).                                                                                                                                                                                                       

Apesar dos ensaios semanais terem começado em 18 de Junho, muitas vezes com o grupo dividido por dois ou três dias da semana, só conseguimos reunir o grupo completo no ensaio geral em 24 de Outubro, iniciado cinco horas antes do espectáculo de antestreia!

Desenhei os singelos cenários do interior da casa dos idosos e acompanhei a sua execução pela equipa do sr. Elias nas oficinas da autarquia, autorizados pela edilidade, tal como aconteceu com a cedência do Teatro Municipal, com a excelente equipa técnica liderada pelo sr. Ricardo Magalhães e a simpática e eficiente equipa da Bilheteira (Isabeis e Cristina), cujos apoios me cumpre agradecer.

A mesma gratidão tenho de expressar ao sr. Esteves, responsável pelo armazém do Teatro do Noroeste, pelo apoio na selecção e pela preparação do mobiliário que integrou o cenário, propositadamente austero.

O cenógrafo Porfírio Barbosa e a Voluntária Fátima Carvalhido foram, também, atrás do pano de cena, protagonistas fundamentais na construção deste evento e não podemos esquecer as Voluntárias e as Enfermeiras Chefes dos diversos serviços hospitalares, bem como os Presidentes de Juntas de Freguesia que distribuíram os convites para os espectáculos, tal como os Amigos Beneméritos que doaram os convites que oferecemos aos utentes e funcionários acompanhantes de várias instituições de solidariedade social. 

Finalmente, a minha gratidão vai para as Voluntárias e Voluntários que me ajudaram no palco a dar corpo a este projecto cultural de solidariedade com os doentes e para o público que encheu por duas vezes o Teatro Sá de Miranda e tanto nos aplaudiu e acarinhou. Obrigado Amigos do Hospital.

Tem sido muitos os incentivos para apresentarmos mais vezes e noutros palcos a nossa peça de teatro, só precisamos que se reúnam as condições necessárias para que outros públicos usufruam do nosso trabalho, sempre em prol da humanização do Hospital que é a Casa Comum de todos os Alto Minhotos.

Defensor Moura


Foto do Grupo de Teatro da Liga dos Amigos do Hospital de Viana do Castelo a agradecer os aplausos do público no final da estreia de peça “Contentamento Descontente”.

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