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Cancro da mama não significa parar: projeto da UNIPVC continua a apoiar mulheres durante e após os tratamentos
Por Administrador
Publicado em 02/11/2026 19:41 • Atualizado 02/11/2026 19:42
Viana do Castelo
Foto:Trofa Saude

SAÚDE E COMUNIDADE | Projeto HER acompanha atualmente 30 mulheres e mantém-se aberto a novas participantes

 

            Cancro da mama não significa parar: projeto da UNIPVC continua a apoiar mulheres durante e após os tratamentos

 

Não há dois percursos iguais depois de um diagnóstico de cancro da mama. E, no projeto HER, também não há um programa de exercício igual para todas as mulheres. A iniciativa da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC) acompanha atualmente 30 participantes, com sessões em pequenos grupos e exercícios adaptados à condição clínica, às capacidades e às necessidades de cada uma. Em atividade desde 2022, o projeto continua a apoiar mulheres durante e após os tratamentos oncológicos e pretende criar condições para chegar a mais participantes.

 

A fadiga, a perda de força muscular, as limitações de mobilidade e o receio de praticar exercício físico são algumas das dificuldades que podem acompanhar o diagnóstico e os tratamentos do cancro da mama. É precisamente para responder a estas necessidades que o HER desenvolve um programa de exercício adaptado, procurando contribuir para a recuperação ou manutenção da condição física, o bem-estar psicológico e a qualidade de vida das participantes.

 

O projeto teve início em fevereiro de 2022, ainda com aulas online devido às restrições associadas à pandemia de COVID-19. Desde então, tem mantido uma intervenção contínua, com atividade entre setembro e julho e uma pausa durante o mês de agosto.

 

Coordenado e operacionalizado por Sílvia Rodrigues, docente da Escola Superior de Desporto e Lazer (ESDL-UNIPVC), e por Margarida Marinho, estudante de doutoramento em Ciências do Desporto da UNIPVC, o HER decorre atualmente nas instalações do Spotlight, entidade parceira que disponibiliza o espaço para a realização das sessões, em Viana do Castelo.

 

O exercício adapta-se a cada mulher, não o contrário

Uma das características centrais do HER é a atenção às necessidades individuais. Antes de iniciarem a prática, todas as participantes realizam uma avaliação que inclui a recolha da história clínica, testes físicos e funcionais e questionários relacionados com sintomas de ansiedade e depressão e com a qualidade de vida.

 

Com base nessa informação, a equipa define um programa de exercício ajustado à condição clínica e física de cada mulher. O acompanhamento prossegue ao longo das sessões, permitindo adaptar a intensidade e os exercícios à evolução, aos sintomas e à forma como cada participante se sente.

 

As aulas decorrem em pequenos grupos, habitualmente de cinco a seis mulheres, uma opção que permite conciliar a prática coletiva com uma atenção individualizada.

 

“Sabemos que, durante os tratamentos, sobretudo a quimioterapia, a fadiga é uma das principais barreiras à prática de atividade física e pode influenciar a perceção do esforço. Por isso, trabalhamos com grupos pequenos, de cinco a seis participantes por sessão, o que nos permite assegurar um acompanhamento próximo e individualizado”, explica Sílvia Rodrigues.

 

A docente sublinha que esta proximidade é uma das características que a equipa pretende preservar, mesmo perante o objetivo de alargar o projeto a mais participantes.

 

 

Recuperar capacidades físicas, confiança e bem-estar

A prática de exercício físico adaptado pode trazer benefícios durante e após os tratamentos do cancro da mama. Entre eles destacam-se a redução da fadiga, a manutenção ou melhoria da força muscular, da capacidade cardiorrespiratória e da mobilidade articular do ombro, fatores que podem contribuir para uma maior autonomia nas atividades quotidianas.

 

O exercício pode também ajudar a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, melhorar o sono e contribuir para a qualidade de vida.

 

No HER, a componente física cruza-se com uma dimensão social igualmente valorizada pela equipa. As sessões em grupo proporcionam momentos de convívio e partilha entre mulheres com experiências relacionadas com a doença, ajudando a contrariar o isolamento e a reforçar a motivação para a prática de exercício.

 

Ao longo dos últimos anos, a equipa tem acompanhado diferentes indicadores da condição física, do bem-estar psicossocial e da qualidade de vida das participantes, realizando avaliações que permitem ajustar continuamente a intervenção.

 

Parte deste trabalho tem também expressão científica, com resultados publicados no âmbito do doutoramento de Margarida Marinho, reforçando a ligação entre a investigação desenvolvida na UNIPVC e a sua aplicação em contextos reais de intervenção.

 

O HER constitui ainda um espaço de aprendizagem para estudantes do Mestrado em Fisiologia do Exercício e Promoção da Saúde, que têm participado nas atividades do projeto e encontrado neste contexto uma oportunidade de aplicar conhecimentos relacionados com a prescrição de exercício clínico em pessoas com diagnóstico de cancro.

 

Um projeto que quer chegar a mais mulheres, sem perder a proximidade

Desde o início da atividade, o HER já avaliou um número de mulheres superior às 30 atualmente acompanhadas. Nem todas, contudo, conseguiram integrar o programa, sendo a localização das sessões um dos principais obstáculos identificados pela equipa.

 

Alargar a intervenção é um dos objetivos para o futuro próximo, mas o crescimento terá de ser acompanhado pelas condições necessárias para manter a qualidade do trabalho desenvolvido.

“Gostaríamos muito de alargar o projeto a mais mulheres, mas esse crescimento exige um equilíbrio entre a divulgação do projeto e a nossa capacidade de resposta para garantir a qualidade do acompanhamento”, afirma Sílvia Rodrigues.

 

O programa destina-se a mulheres com diagnóstico atual ou anterior de cancro da mama, independentemente da fase dos tratamentos ou do tempo decorrido desde a sua conclusão, desde que não apresentem contraindicações para a prática de exercício físico.

 

A participação começa com uma avaliação individual, que permite conhecer a situação de cada mulher e adequar o exercício às suas necessidades.

 

Para aquelas que sentem receio de começar, sobretudo devido à fadiga ou ao desconforto, Sílvia Rodrigues deixa uma mensagem: “Não precisa de estar em boa forma física para dar o primeiro passo. No projeto HER, começamos por conhecer cada mulher, a sua história clínica, as suas capacidades e as suas dificuldades.”

 

E acrescenta: “Há dias em que é possível fazer mais e outros em que precisamos de ajustar, e isso faz parte do processo.”

 

Como participar no projeto HER

O HER funciona de setembro a julho, nas instalações do Spotlight, parceiro da UNIPVC, com sessões nos seguintes horários:

 

  • Segunda-feira: 19h30
  • Terça-feira: 16h00, 18h00 e 19h00
  • Quinta-feira: 18h00 e 19h00
  • Sexta-feira: 19h00

 

As mulheres interessadas em conhecer o projeto, esclarecer dúvidas ou manifestar interesse em participar podem contactar a equipa através do endereço eletrónico silviars@esdl.ipvc.pt. A integração de novas participantes é articulada com a equipa responsável, tendo em conta a avaliação individual e a capacidade de acompanhamento disponível.

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