Entre tradições seculares e novas gerações: Viana escolhe Mordoma do Cartaz da Romaria d’Agonia
Traje à vianesa, ouro tradicional e identidade cultural em destaque na escolha realizada em Viana do Castelo, numa noite que reuniu 20 finalistas e esgotou o Teatro Municipal Sá de Miranda.
A estudante finalista de enfermagem de 21, residente em Areosa foi a candidata
escolhida numa noite marcada pela emoção e pelo orgulho na identidade vianense.
Mafalda Brandão foi eleita este sábado Mordoma do Cartaz da Romaria d’Agonia
2026, envergando o traje à vianesa vermelho, um dos símbolos mais reconhecidos da
identidade cultural portuguesa e da continuidade das tradições da maior romaria do
país.
Visivelmente emocionada após o anúncio, Mafalda Brandão confessou ter sido
surpreendida pelo resultado. “Fiquei em choque, mas de felicidade. Nem me lembro
bem como reagi naquele momento. Agora é que vem o melhor de tudo e estou muito
feliz”, afirmou.
A jovem descreve a Romaria d’Agonia como “a Romaria das Romarias”, um momento
em que se unem fé, cultura e identidade. “É a harmonia perfeita entre a riqueza do
regional e a simplicidade das nossas gentes. Entre o êxtase, a emoção e a fé”, afirmou.
Para Mafalda Brandão, a Romaria representa muito mais do que uma Romaria. “Não
é apenas uma festa que acontece durante uma semana em agosto. É algo que
sentimos durante todo o ano, quando trajamos, quando usamos o ouro das nossas
famílias ou simplesmente quando passeamos pelas ruas de Viana”, explicou.
Ser Mordoma do Cartaz representa para si a concretização de um sonho antigo. “É
um sonho que me acompanha desde criança. Ser mordoma, significa levar comigo,
por onde passar, a identidade, as tradições e o orgulho profundo de ser vianense”, afirmou.
Na apresentação ao concurso, Mafalda Brandão envergou um traje à vianesa da
Ribeira Lima vermelho, conhecido como traje de festa ou “lavradeira”, um dos trajes
mais marcantes da etnografia do Alto Minho. O traje, tradicionalmente usado em
ocasiões festivas e romarias, caracteriza-se pela saia de lã vermelha de roda farta
tecida em tear manual, camisa de linho ricamente bordada, colete decorado, avental
de lã com motivos florais e lenços na cabeça e ao peito
Devidamente ourada, destacou uma custódia centenária, oferecida pela sua avó na
primeira comunhão, peça que Mafalda levou consigo como símbolo de continuidade
entre gerações.
“Ao peito levo a minha família, mas também o meu esforço”, sublinhou.
O gosto pela etnografia e pelas tradições foi herdado no seio familiar. Mafalda recorda
as avós e tias-avós, bordadeiras e costureiras, como figuras fundamentais no
despertar do seu interesse pelos trajes e pelas artes regionais. “Aprendi com elas que
um traje não é apenas uma peça de roupa. É um símbolo cultural carregado de história
e orgulho”, contou.
A nova mordoma integra também o Grupo Folclórico de Viana do Castelo, que celebra
este ano 50 anos de atividade.
Aos 21 anos, Mafalda Brandão torna-se assim o novo rosto de uma tradição com
séculos de história, onde o traje, o ouro e a devoção continuam a passar de geração
em geração na Romaria d’Agonia.
Esta foi a terceira edição do concurso que escolhe a Mordoma do Cartaz da Romaria
d’Agonia. O próximo passo será a conceção do cartaz oficial da edição de 2026, que
terá como figura central a nova mordoma. Três ilustradores serão convidados a criar
propostas artísticas, cabendo posteriormente à VianaFestas a escolha do cartaz
vencedor.
A Romaria d’Agonia realiza-se este ano entre 15 e 23 de agosto em Viana do Castelo.
